Tu vacilas
Ela vacila
Quando um de nós vai tomar uma atitude?

O tempo anda de mal comigo, vira as costas prá mim, e me apressa.
Sem ter como postar um conto ou poesia, resolvo colocar uma frase de um dos grandes mestres.
Uma ajudinha para os amigos que, como eu, vivem lutando com as letras, as ideias e os vacilos.
"No combate entre um texto apaixonante e seu leitor, o romance ganha sempre por pontos, enquanto o conto deve ganhar por nocaute"
Julio Cortázar (1914-1984), escritor argentino, autor de Histórias de Cronópios e de Famas

— Não consegue ver? Presta bem atenção.
— Ver o que vó? Eu olho, olho, mas não vejo nada, é tudo branco.
— Tira o olho um pouco, descansa a vista...hum...olha pro seu pé, por exemplo..... isso....agora volta a olhar para ela e me diz: não está vendo um rosto de mulher?
— Nossa, é mesmo.... ela tem uma cara gordinha e está sorrindo.
— Agora que você descobriu como ela é de verdade, já ficaram amigas. E ela sempre está lá. Mesmo quando ela ficar acanhada deixando a noite escura, ou se esconder da chuva com seu casaco de nuvens, acredite ela sempre estará lá. E pode ter certeza, sorrindo para você.
Caramba, as avós são mesmo especiais. Desde que Vó Mercês me ensinou a ver a lua, tudo ficou mais bacana. Agora não me sinto mais sozinha de jeito nenhum. Até quando fico triste por qualquer motivo, bronca sem razão, dor de dente ou vejo meus pais brigarem, eu espero a noite chegar, vou para janela e procuro a minha amiga. Ela sempre levanta meu astral. Minha mãe até diz que vivo no mundo da lua.
E vivo mesmo. Por exemplo, no ano passado, a mamãe fez meu novo irmãozinho. Quando ela estava bem gordona, com aquele barrigão empinado, as amigas dela diziam que o nenê ia vir no dia que a lua virasse. E foi batata. Foi só a lua se abrir exibida no céu, com sua carinha mais sorridente que a mamãe foi pra maternidade pro bebê nascer. Voltou de lá com a barriga murchinha e aquele chorão careca no colo.
Às vezes eu acho que minha cabeça vai explodir de tanto pensar. Agora mesmo acabo de fazer uma grande descoberta. Sabe quando a Lua vai sumindo, sumindo, e fica só aquele tracinho curvo no céu? Pois bem, pra mim agora aquilo quer dizer um parêntesis. Não é que ela está morrendo.... ela está é só tomando um fôlego pra começar a crescer de novo. E dali uns dias ela volta a aparecer. Começa só com um fio fininho e branco, que depois vai se enchendo até parecer um queijinho.
Tou desconfiando que a lua é feita de avós. Sabe por que? Logo depois que meu irmãozinho chegou, vó Mercês passou uns tempos meio doentinha, não tinha nem força pra sair da cama. De repente, o pessoal lá de casa começou a chorar e, quando eu perguntei o que tava acontecendo, eles disseram que ela tinha ido pro céu. E quer saber? Eu acredito. As avós ajudam a lua a criar histórias que se abrem e se fecham com esses parêntesis. E com a vovó lá com ela agora, as histórias devem estar mais engraçadas ainda. Afinal, a vovó jurou que a lua sempre estaria sorrindo pra mim.
O escritor é um contador de histórias experimentadas, ouvidas, imaginadas. E as melhores são as que falam de sentimentos ou transgressões que, em geral, as pessoas preferem esconder.
Aqui, mostro um pouco do que observo ou imagino, relatos e experimentos em prosa ou versos em gêneros como conto, crônica, ficção, infanto juvenil, etc.