terça-feira, 16 de novembro de 2010

Poeta por necessidade


Last blues

Não espalho,

mas ando triste pra caralho

(Marcelino Freire)


Quando eu era criança

todo chão era colchão

cada nuvem um desenho

cada braço um abraço

toda música um convite.

Fui crescendo sem notar

o risco que isso envolvia.

Hoje sei que cair dói,

nem sempre me dão a mão,

preciso me erguer sozinha,

abraços podem faltar,

bocas são ocas,

algumas palavras, armas

o horizonte é logo ali

e no fim do arco íris

repousam latas de tinta

Se eu quiser poesia,

eu que poemas componha