sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Caprichos do vento




O vento queria

levar embora lembranças

de todos os tipos

tanto boas como ingratas

as perdidas, indeléveis

e até as inventadas.

Isso não é coisa de amigo.



Pensava roubar

sem qualquer cerimônia

do que foi, a memória

pegadas, marcas e trilhas

enterrar corpos no mar

escrever novas cartilhas

aviltar toda a história



Tolo, isso é impossível!

O que foi tem seu peso e

razão de ter existido

Calar o povo não amansa

fica sempre a revolta

ou quem sabe, esperança

em todo o grupo oprimido



O vento é livre

tem seus caprichos

não precisa convite

invade tudo

muda dunas de lugar

apaga rastros

Mas a verdade impõe

irrefutáveis limites



escrito num dia de agosto de 2011, depois do abate sanguinário e misterioso de Bin Laden; dois meses depois, veio a queda e a fuga de Anuar Kadafi - que impôs 42 anos de sofrimento ao povo do Líbano, seguido de seu assassinato por civis (a mando sabe lá de quem).

3 comentários:

Maurício Mellone disse...

Laura,
belo e comovente poema!
Que o vento livre nos
traga verdades e certezas
irrefutáveis no ano novo!
Bjs e parabéns!
Maurício

santana disse...

Uau, Laura, passei uns dias sem aparecer, e agora encontrei tanta coisa boa...não suma, tá?, você tem sempre o que dizer, e diz de um jeito tão bonito.

Um 2012 cheio de belas palavras. beijo

Rosa disse...

Que beleza Laura! Lindo, lindo! Bjs!