O vento queria
levar embora lembranças
de todos os tipos
tanto boas como ingratas
as perdidas, indeléveis
e até as inventadas.
Isso não é coisa de amigo.
Pensava roubar
sem qualquer cerimônia
do que foi, a memória
pegadas, marcas e trilhas
enterrar corpos no mar
escrever novas cartilhas
aviltar toda a história
Tolo, isso é impossível!
O que foi tem seu peso e
razão de ter existido
Calar o povo não amansa
fica sempre a revolta
ou quem sabe, esperança
em todo o grupo oprimido
O vento é livre
tem seus caprichos
não precisa convite
invade tudo
muda dunas de lugar
apaga rastros
Mas a verdade impõe
irrefutáveis limites
escrito num dia de agosto de 2011, depois do abate sanguinário e misterioso de Bin Laden; dois meses depois, veio a queda e a fuga de Anuar Kadafi - que impôs 42 anos de sofrimento ao povo do Líbano, seguido de seu assassinato por civis (a mando sabe lá de quem).


3 comentários:
Laura,
belo e comovente poema!
Que o vento livre nos
traga verdades e certezas
irrefutáveis no ano novo!
Bjs e parabéns!
Maurício
Uau, Laura, passei uns dias sem aparecer, e agora encontrei tanta coisa boa...não suma, tá?, você tem sempre o que dizer, e diz de um jeito tão bonito.
Um 2012 cheio de belas palavras. beijo
Que beleza Laura! Lindo, lindo! Bjs!
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