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Nunca vou esquecer aquela manhã. Acordei e a sensação era tão boa que nem conseguia abrir os olhos, queria prolongar o delicioso estado de felicidade plena. A noite passada tinha sido realmente maravilhosa e o quarto era um ninho quente-úmido. O André caprichou mesmo, eu pensava. Fiquei enrolando na cama, desfrutando o macio toque dos panos na pele enquanto flashes pipocavam trazendo retalhos da última e memorável entrega. Há muito não me sentia assim.
Ainda zonza, comecei a me espreguiçar languidamente, e com as pernas procurei o coadjuvante do último enredo para lhe dar o beijo-Oscar de bom dia, até que me dei conta que estava sozinha na cama.
Logicamente, imaginei, ele devia estar no banho, ou então havia descido para preparar o café. De repente veio uma vontade urgente de acarinhá-lo, mostrar o quanto ele era especial para mim, o quanto o amava, e curtirmos juntos aquele começo de dia depois da noite tão especial.
Bem devagarzinho fui então abrindo os olhos ainda melados enquanto rolava o corpo felino por sobre o colchão e, ao esticar o braço, senti que havia um papel sobre o travesseiro ao meu lado. Um bilhete de amor, pensei, toda feliz. Ainda deixei passar alguns minutos, até que finalmente sentei na cama. Mas o que li lá me deixou paralisada. “Durante dias eu sofri sozinho, até que tomei coragem e, sem que você notasse, fui ajuntando minhas coisas. E resolvi que a vingança máxima seria te dar a melhor noite da sua vida, só para você se dar conta do que perdeu. Adeus.”
Na hora a ficha caiu, dolorosa, implacável. Com certeza André descobriu que eu transei com Aroldo, o seu melhor amigo. Foi uma coisa boba, um tesão passageiro que surgiu, e de repente nos vimos primeiro nos beijando na copa do escritório deles, depois num quarto ridiculamente erotizado de motel, e por último, cheios de culpa, na praia, num final de semana com casais amigos, quando demos uma fugida para um último encontro quando prometemos acabar com aquilo que poderia colocar em risco os nossos casamentos, e ainda magoar muita gente. Fazia mais de ano que aquilo acabara. Mas, sabe-se lá como meu marido descobriu.
Desde então ele desapareceu. Largou a empresa, o trabalho, os amigos, tudo. Arrependida até as entranhas, nunca tive a chance de me explicar ou tentar reconquistar o homem da minha vida, o único capaz de fazer brotar de mim, o melhor. Até que tentei, mas jamais encontrei alguém que chegasse a seus pés. Optei por ser só, e amargar o peso da culpa até eu mesma me perdoar. André acertou na vingança.* A imagem acima é um trabalho do artista plástico Marco Paulo Rolla.
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domingo, 12 de abril de 2009
O melhor de uma mulher
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domingo, 21 de setembro de 2008
Intimidade
Sou modesta. Festa muitas vezes são só dois dedos de prazer.
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segunda-feira, 21 de abril de 2008
Pausa bem-vinda
Excuse-me while I kiss the sky (de uma velha canção de Jimmy Hendrix)
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