quarta-feira, 10 de junho de 2009

Liberdade de errar

Estou praticamente concluindo este mês a pós graduação "Formação de Escritor", coordenado pelo mestre Gabriel Perissé. Sempre entro no blogue dele, e lá bebo muito conhecimento. Como este texto dele sobre o poeta Paulo Leminsky que ele fez para a revista Educação. Reproduzo-o aqui (de forma reduzida). Ele certamente atingirá em cheio todos aqueles que lidam, brigam e amam a palavra, mas sobretudo todos aqueles que não têm medo de arriscar, nas letras e na vida:

"Neste mês de junho de 2009 lembramos os 20 anos de falecimento do paranaense Paulo Leminski (1944-1989), um dos mais ousados escritores brasileiros do século passado (...) No poema "Erra uma vez", de La vie en close (1991), livro póstumo, o poeta declarou:

nunca cometo o mesmo erro
duas vezes
já cometo duas três
quatro cinco seis
até esse erro aprender
que só o erro tem vez

Para além do trocadilho, o artista da palavra encara o erro como elemento do jogo verbal. Por isso não teme duplicar o "r", errar mais de uma vez. Por isso brinca com o erro e nele se inspira. Porque somente o erro tem vez. Não teme repetir o erro até que vejamos a importância do fazer e do descobrir. A certeza de que errar é humano deixa de ser uma lamúria, torna-se afirmação alegre da nossa condição. Somente errando é que se aprende. Mas o poeta diz mais: é o próprio erro que deve aprender o seu lugar nessa história, na história do nosso aprendizado."


Bacana, né? Se você quiser ver o artigo inteiro, clique
aqui. Só para os assinantes Uol.



sábado, 6 de junho de 2009

Lançado, o Blablablogue segue seu caminho

Ainda não me recuperei do mix de emoções que foi o lançamento do Blablablogue- Crônicas & Confissões, no último sábado, dois dias após eu mudar para um apê ainda em reforma. Naquelas horas deliciosas, até me esqueci da poeira, do verniz, da vida provisoriamente em caixas de papelão, do exercício de memória que é encontrar cada coisa, e só sobrou espaço para o afeto.

Só agora que tudo vai voltando ao normal, é que consigo sentar prá dizer que foi bom demais ter por perto Artur, mais que filho, um companheirão, e os amigos que amo tanto. Anna, Maria Rosa (mais Daniel) e Sandra (parceiras de todas as horas), minha quase irmã Maria Inês (avec Zé Nogueira), a sobrinha Bruna (com Marcio, nosso Dudu-delícia e o Seu Benê), Piu, as queridas Helô, Eliana Calheiros, Cynthia, Laila, Rose, comadre Sonia e Beth (que vieram de longe), Rossana (carioca e mais nova paulistana), Idathy (e Celso), Lili (e Marco & o fofo do Rick Boy), Giovanna, Joana, Yara, Lavínia, Maíra, Cristina (astróloga), mais Rosely e Selma (do tempo do ginásio), além de Marisa Moura, Tiago e Jürgen, amigos novos e já entrando "na diretoria".

Lá também os companheiros de letras, jornadas e afetos Wladyr Nader, Y.Daniel, Chantal Brissac, Pat Prensada, Kiko Ferraz), Vicentini Gomez, e o pessoal da pós, Teca, Claudia, Cris Rogério (e o fofo Ricardo), Nelson, João e Paty (com sua mãe lindinha). Bom demais rever os queridos Valdeci Verdelho, Daniel Faleiros, Antoune e Edmilson.


Foi tanta gente, que já me desculpo caso tenha esquecido alguém. Agradeço também àqueles que só puderam mandar seu axé de longe, como o Petê Rissatti, companheiro no livro, mas em viagem pela Alemanha. Mas garanto que as flores lindas que Débora, Jackson e Maurício que me deram, além de alegrar a nova casa e o espírito, serão um belo jeito de lembrar do amor de todos vocês e daquela estréia tão especial.

Nelson, quero te agradecer pela oportunidade e a honra de estar ao lado de escritores tão competentes. Só lamento não ter tido como papear com todos, tanto o agito. Mas não vai faltar oportunidade da gente se conhecer melhor e trocar afagos e ideias. Bom, o livro foi lançado. Agora é torcer para que ele encante leitores e livreiros Brasil afora.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Contos de blogue agora em livro


Pessoal, está chegando o dia do lançamento do Blablablogue - Crônicas & Confissões, antologia que reúne 21 autores de contos de blogues, quando estrearei em livro e ao lado de autores bem conhecidos e dos quais sou fã há muito tempo. Agradeço por todo o apoio, acompanhamento, críticas e elogios que recebi de vocês desde que inaugurei este blog, há pouco mais de um ano. Sem isso, não teria como chegar até aqui. Estou muito feliz, e adoraria compartilhar com vocês um pouco desse estado de espírito no dia do lançamento.
Apareçam! Vou adorar receber o abraço de cada um de vocês no sábado 30 de maio (vejam convite acima)

Para explicar melhor do que trata esse livro, nada melhor do que o texto do Nelson de Oliveira, o organizador da antologia.

A palavra é febre.

Quem pegou o início desse fenômeno de comunicação que em pouco tempo se tornou a blogosfera sentiu em primeira mão um tipo diferente de febre. A febre da liberdade digital. Da democratização da palavra escrita.

Essa febre, essa excitação, essa compulsão é tão contagiante que, uma década depois, o número de blogues no ciberespaço tem crescido de forma exponencial. Atualmente existem perto de 140 milhões de blogues e cerca de 120 mil são criados diariamente (1,4 por segundo).

A maioria das pessoas utiliza os blogues como um diário pessoal, porém eles podem veicular qualquer tipo de conteúdo e ser usados para os mais diversos fins: artísticos, jornalísticos, científicos, políticos, religiosos, corporativos, comerciais etc. A blogosfera ampliou o mundo natural, social e mental.

Como eu disse, a palavra é febre. Muitos a amam, muitos a odeiam. É verdade: tem gente que passa várias horas diárias cultivando seu espaço virtual. Mas tem gente que detesta a cultura blogueira.

Além da possibilidade de interação quase instantânea com os visitantes, a grande diferença entre os blogues e a mídia tradicional, impressa, é a velocidade. Um artigo que levaria horas, dias ou semanas para ser publicado numa revista de papel pode estar disponível em poucos segundos para a leitura num blogue.

O critério usado na seleção dos blogueiros cujos posts compõem este livro foi o mais subjetivo possível: meu gosto pessoal. Por ser escritor, eu preferi ceder a essa inclinação e ficar na deliciosa esfera da crônica e da confissão literária.

Os vinte e um blogueiros convidados para participar desta antologia são todos escritores: onze veteranos de prestígio reconhecido, com livros já publicados, e dez bons estreantes a caminho do reconhecimento. A cada um deles eu pedi que selecionasse os melhores posts publicados nos respectivos blogues.

O resultado: dezenas de crônicas e confissões de escritores deliciosamente febris.

Nelson de Oliveira

Nelson de Oliveira nasceu em 1966, em Guaíra (SP). É professor universitário, editor e autor dos livros Ódio sustenido (Língua Geral, 2007), Algum lugar em parte alguma (Record, 2006), A maldição do macho (Record, 2002) e Subsolo infinito (Companhia das Letras, 2000), entre outros. Dos prêmios que recebeu destacam-se o Casa de las Américas, o da Fundação Cultural da Bahia, duas vezes o da APCA e o da Fundação Biblioteca Nacional. Atualmente coordena, em diversas instituições, oficinas de criação literária para autores em início de carreira.


sexta-feira, 1 de maio de 2009

Marcas na pele

A massa se move no firmamento num vôo largado, num sono de morte que se repete desde tempos imemoriais. Sem destino nem esperança, como nave de um corpo só ela vaga pela imensidão utilizando apenas seus sensores em busca de um pouso que lhe dê alguma paz e o alimento vital. Até que sente uma suave vibração vinda de um ponto especial embaixo dela. Leve, mas o suficiente para que seus sentidos aguçados lhe indiquem o caminho, e então se deixa cair.

Quando dá por si, está numa rua erma de uma cidade qualquer, que se divide em casas de alto padrão de um lado e um condomínio de luxo do outro. Em suas bunker-guaritas, os seguranças estranham a mulher que surge de repente, mas logo desviam a atenção. Imaginam que deva ser alguma visita saindo de uma das residências, pela forma como se veste e anda.

A tarde mergulha na noite, levando com ela os derradeiros traços púrpura de um céu onde a lua começa a se impor. Embora o último fio de claridade fira seus olhos, nada é novo para essa mulher de existência trágica e solidão sem fim. Mais um vôo, mais um pouso e a certeza de que Lucius, o maldito, logo virá em seu encalço. Mas desta vez sente algo diferente, não sabe precisar o quê.

Comandada apenas pelos instintos, ela se aproxima do ponto exato que a atraiu: uma janela no segundo andar de um casarão branco. Em segundos, Aurélia se vê lá dentro, invisível a olhos humanos. É um quarto de rapaz, que cochila sobre os livros. Do computador ligado sai música agitada, percussiva. Ele acorda como que pressentindo algo, olha para trás aparentemente incomodado, mas logo decide esticar o corpo na cama, vestindo apenas uma bermuda justa. Aurélia aproveita para observar o garoto num sono à solta, barriga para cima, braços cruzados sob a cabeça, um pé apoiado em ângulo sobre a outra perna dobrada, totalmente relaxado.

É a mais pura beleza em pele bronzeada, músculos precisamente definidos. Não deve ter mais que 17 anos. Sua vontade é pular sobre ele e sugar sua vida, mas Aurélia se contém. Para ela só vale se for consentido, nem que a sedução seja trabalhosa. Com esse propósito, vaga pelo quarto em busca de dados sobre a presa. Pelos livros na escrivaninha, descobre que está no cursinho e se prepara para o vestibular de Odontologia. Pelas fotos, vê que é de família abastada, viaja bastante, tem um irmão mais velho, uma irmãzinha pequena e muitos amigos.


Quer saber como essa história termina? Clique aqui para ver o desenrolar dessa trama .

(*) Texto feito em parceria Laura Fuentes & Petê Rissati, do Vermelho Carne

terça-feira, 21 de abril de 2009

As russas de agora

A notícia abaixo saiu recentemente na seção Mundo Bizaro, do site G1, e é totalmente desconcertante por quebrar todos os paradigmas. Ela mostra o quanto o mulher vem mudando. E quer saber? eu adorei. E você, o que pensa a respeito?

Cabelereira transforma assaltante em escravo sexual na Rússia

Um estranho caso de assalto e estupro envolvendo um criminoso e uma cabeleireira está mobilizando a polícia russa.

Segundo o site "Life.ru", uma cabeleireira de 28 anos identificada como Olga teve o salão invadido por um assaltante na terça-feira (14). Ela, que é treinada em artes marciais, conseguiu render o homem de 32 anos, identificado como Viktor, e levou-o para uma sala reservada.

Olga teria usado um secador de cabelo para render o assaltante, e acabou prendendo-o, mas não chamou a polícia. Ela teria obrigado o criminoso a tomar o estimulante sexual Viagra, para depois abusar dele por diversas vezes, durante os dois dias seguintes.

Depois de ser libertado, Viktor foi ao hospital para curar seu órgão sexual "contundido", e depois registrou queixa contra Olga. No dia seguinte, foi a vez de Olga registrar queixa contra Viktor por assalto.

A história fica ainda mais confusa, segundo o "Life.ru", porque a polícia não tem certeza de quem é o verdadeiro criminoso nesse caso de assalto que terminou em "estupro".


domingo, 12 de abril de 2009

O melhor de uma mulher



Nunca vou esquecer aquela manhã. Acordei e a sensação era tão boa que nem conseguia abrir os olhos, queria prolongar o delicioso estado de felicidade plena. A noite passada tinha sido realmente maravilhosa e o quarto era um ninho quente-úmido. O André caprichou mesmo, eu pensava. Fiquei enrolando na cama, desfrutando o macio toque dos panos na pele enquanto flashes pipocavam trazendo retalhos da última e memorável entrega. Há muito não me sentia assim.
Ainda zonza, comecei a me espreguiçar languidamente, e com as pernas procurei o coadjuvante do último enredo para lhe dar o beijo-Oscar de bom dia, até que me dei conta que estava sozinha na cama.
Logicamente, imaginei, ele devia estar no banho, ou então havia descido para preparar o café. De repente veio uma vontade urgente de acarinhá-lo, mostrar o quanto ele era especial para mim, o quanto o amava, e curtirmos juntos aquele começo de dia depois da noite tão especial.
Bem devagarzinho fui então abrindo os olhos ainda melados enquanto rolava o corpo felino por sobre o colchão e, ao esticar o braço, senti que havia um papel sobre o travesseiro ao meu lado. Um bilhete de amor, pensei, toda feliz. Ainda deixei passar alguns minutos, até que finalmente sentei na cama. Mas o que li lá me deixou paralisada.

“Durante dias eu sofri sozinho, até que tomei coragem e, sem que você notasse, fui ajuntando minhas coisas. E resolvi que a vingança máxima seria te dar a melhor noite da sua vida, só para você se dar conta do que perdeu. Adeus.”

Na hora a ficha caiu, dolorosa, implacável. Com certeza André descobriu que eu transei com Aroldo, o seu melhor amigo. Foi uma coisa boba, um tesão passageiro que surgiu, e de repente nos vimos primeiro nos beijando na copa do escritório deles, depois num quarto ridiculamente erotizado de motel, e por último, cheios de culpa, na praia, num final de semana com casais amigos, quando demos uma fugida para um último encontro quando prometemos acabar com aquilo que poderia colocar em risco os nossos casamentos, e ainda magoar muita gente. Fazia mais de ano que aquilo acabara. Mas, sabe-se lá como meu marido descobriu.
Desde então ele desapareceu. Largou a empresa, o trabalho, os amigos, tudo. Arrependida até as entranhas, nunca tive a chance de me explicar ou tentar reconquistar o homem da minha vida, o único capaz de fazer brotar de mim, o melhor. Até que tentei, mas jamais encontrei alguém que chegasse a seus pés. Optei por ser só, e amargar o peso da culpa até eu mesma me perdoar. André acertou na vingança.

* A imagem acima é um trabalho do artista plástico Marco Paulo Rolla.

domingo, 5 de abril de 2009

40 anos de um erro

O grande escritor colombiano Gabriel García Márquez só recentemente descobriu, 40 anos depois, um erro na edição brasileira do seu romance Cem anos de solidão. Um personagem bígamo briga com a amante e vai para a casa da... amante, onde morre. O certo é sua morte na casa da mulher. A Editora Record que o publica no Brasil corrigirá a falha numa reedição prevista para sair este ano.


Isso prova que, a despeito de todo cuidado que procuramos ter, erros podem acontecer, e acontecem, até mesmo com os grandes. Por isso quando eu erro, erro mesmo, erro grande, sem sombra alguma de dúvidas. E depois vejo se tem conserto. Aprendi essa lição com o grande mestre Gabriel Perissé.