segunda-feira, 26 de maio de 2008

Fé no taco

Versão dele:

A dona era filé mignon, coisa fina. Me tratava bem, me chamava e me queria. Nunca entendi o que ela viu em mim, um pobre taxista, coisa comum, nada especial. Do aeroporto para a casa dela, bairro de bacana, eu não tirava os olhos do retrovisor...aqueles coxões. Danada ela, cruzava e descruzava as pernas, procurando meu olho no espelho, pondo pilha. Tentei manter a compostura. No final, deixei o cartão. Pode me chamar quando precisar. E ela, pelo visto, precisou mesmo, porque dias depois me chamou para um serviço. A corrida foi curta, mas a volta na casa dela foi bem demorada. Mulher gostosa, cara. Só que devia ser muito sozinha, porque grudou. Queria namorar, jantar fora, barzinho e tal. Aquilo me assustou, confesso, mas tava bom e fui levando. Só ligava pra ela quando o tesão era muito, então já chegava chutando a porta e enchia a dona de carinho, no capricho. E ela gostava, isso eu sei. Até que, de repente, ela foi parando de ligar, atendia minhas chamadas de jeito frio. Comecei a ficar inseguro. Será que não tava comendo ela direito? Ou era barrigudo demais? Não, acho mais é que ela arrumou outro cara de pau maior...sempre tive raiva do meu ser tão pequeno. Na real, acho que foi por isso que ela me esqueceu. Mas, fazer o que? Vai ser difícil encontrar outro material como aquele...

Versão dela:

Eu voltava de um congresso em Paris, doida para chegar em casa, quando entrei no táxi de um motorista muito interessante. Olhos gulosos, ele me encarava, fiquei meio sem graça, mas bem que gostei. Afinal, desde que o Paulo foi embora, estava sem ninguém. Quando paguei a corrida, ele, insinuante, me deu um cartão de visita oferecendo seus serviços, podia chamar a qualquer hora. Pensei comigo: “Ótimo, numa hora que eu estiver precisada, arranhando azulejo, ligo mesmo”. Não demorou muito, tinha que levar uns documentos para um cliente, então chamei o Martinez. A corrida foi curta. Na volta convidei-o para um café, aceito de pronto. Bonitão e sexy, ele logo foi falando como eu era linda, atraente e tal e já foi logo me abraçando por trás. Não resisti. Transamos ali mesmo, no sofá. Que homem gostoso! Deu conta da minha carência de meses e foi embora deixando vontade de repeteco. E eu o quis muitas vezes. Meu erro foi começar a contar com ele. Chamei para ir ao teatro, ele não quis. Cinema? Sem chance, tinha trabalho. Saída para uma cervejinha? Não podia, tinha que pegar um cliente. Dormir e amanhecer comigo? Nem pensar. Decerto foi essa irritante e imensa bunda minha que o deixava envergonhado de circular comigo pelai. Ou o peito caído. Vai ver me achava velha. Eles querem sempre é carne tenra, durinha. Seja o que for, comecei a ficar insegura e já não me soltava na cama. Fui esfriando, e quando ele ligava, já não o chamava para vir. Hoje estou feliz, namoro um cara bacana, achei o companheiro que procurava. Mas nunca vou esquecer daquele taxista. Nossa, como a gente se curtiu...Hum, que saudade daquele pauzão enorme que ele tem e que manda bem como ninguém....

10 comentários:

Petê disse...

O ar de Überland te fez bem, hein Laurinha. O que uns úberes bem ordenhados não fazem à imaginação.

Beijos

SADY FOLCH disse...

Ahahaha...essa do Peterso foi de matar...mas vamos lá...

Oh!! velha humanidade insegura e carente...quando é que vais sentir-te confiante?

Laura, foi demais. Amei.
Passa lá que tem nova postagem do conto.
Sady

Lu Faria dos Anjos disse...

Olá Nanete,

Você precisa fazer uma viagem para o Polo Norte, pois as histórias daqui estão cada vez mais quentes rsrsrs.
Eu pensei que fosse o mesmo taxista do Nelson ahahah
Ah! A propósito: você foi de taxi para MG? rsrsrs
Seu texto está maravilhoso, parabéns mais uma vez.
beijos
Lu

Laura Fuentes disse...

É, Lu, não sei se ía me acalmar, porque ouvi dizer que lá tem uns esquimós da hora...rsrs

Obrigada também Petê e Sady pelo incentivo.

Desabafos&Reflexões disse...

Adorei, Laurinha. Quantas vezes esses desencontros acontecem nas nossas vidas por supormos o que o outro pensa, sem que perguntemos. Coisa de ser inteligente. *rs*. Um beijão. Clau*

Astier disse...

vim aqui
por causa
da minha amiga
Érila Riedel,
adorei.
Virei mais vezes.
Bj
astier

Bruno Cobbi disse...

Divertidíssimo, como sempre.

Sou suspeito, pq já sou fã. =]

Aliás, não posso negar que teve muita inspiração Laurística pra me fazer colocar a Tate lá no Aprendiz de Escritor.

Obrigado linda! Tow amando ter vc ao meu lado nessa jornada!

=]

Laura Fuentes disse...

E eu amando ter vocês todos como leitores, me incentivando na jornada. Adoro vocês!

Anônimo disse...

simplesmente sensacional!!! você tem um olho clínico pra descrever o ser humano e suas maluquices, heim? além de delicioso de ler, o texto foi praticamente uma auto-ajuda, pra mim...rs... amei!!!! Erika

Retrix disse...

Ahahaha
Chega de insegurança.
Melhor é ser convencido e pecar pelo excesso. De hoje em diante serei o máximo.
Ahahaha