terça-feira, 13 de maio de 2008

Álbum

Eu aqui, às voltas com o trabalho, duas planilhas enormes para concluir, uma apresentação para montar, completamente imersa nisso, toca o celular. Atendo distraída. Maria Eduarda? Como vai você? Ando pensando tanto naqueles nossos tempos e sinto saudade. Queria tanto te ver, é possível? É o Cássio, não acredito! Aquela voz que, por tanto tempo esperei ouvir. Um filminho passa em mim. Sofri, comi o pão que o diabo amassou. Engordei, criei calos na alma, envelheci. Mas, aos poucos, fui buscando forças para esquecer. Catando um pedaço aqui, outro acolá, fui reconstruindo um novo eu. A esse pão amassado, aos poucos fui adicionando novos temperos e, dele, fiz um pudim tão saboroso, que muitos quiseram provar. Alguns eu deixei. Desses, uns gostaram tanto que quiseram ficar. Mas ainda não estou pronta. Preciso reformar o ninho, refazer o enxoval de mim, até estar fortalecida para amar de novo. Madá, você está me ouvindo?Não fica assim calada. Diz alguma coisa. Sei que fui meio canalha. Me xinga, mas não fica assim quieta, por favor. Me dá uma chance de explicar o que aconteceu. Ao ouvir o "Madá" (só ele me chama assim) as lágrimas vêm e engolem as palavras. Desligo imediatamente, vou ao toalete secar os olhos e retocar a auto-estima, repetindo um velho e infalível mantra: figurinha repetida não enche álbum/ figurinha repetida não enche álbum/ figurinha......Repito tanto que decido: vou aproveitar a hora do almoço para comprar um novo celular, último tipo, bem lindo, e com novo número.

9 comentários:

patricia disse...

Concordo: figurinha repetida não enche um álbum. Bjs

Anônimo disse...

aiiii... que inveja... adoraria ter feito isso... uma vezinha que fosse... mas não consigo... escrevo poemas impublicáveis, leio pra mim mesma e choro... rss.. mas o mantra eu adorei... essa Madá sabe das coisas, vou incluir no meu repertório...rs... beijocas e parabéns pelo blog!!! Erika Riedel

ovallejo disse...

Mais uma vez, texto gostoso de ler! E quem é que nunca se viu no lugar da Madá? Também adorei o mantra, uma versão mais moderna do "águas passadas não movem moinho".

Sady Folch disse...

Laura, você está cada dia melhor...o tema traz milhões de sugestões.
Um beijo
Sady

Petê disse...

Ô mulher que eu gosto de ler. Volto às leituras em breve, só passar o turbilhão.

Beijos e tenho uma coisinha procê, viu.

patricia disse...
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João F. A. Cunha disse...

Adoro seus "retratos do cotidiano amoroso..."

Obrigado pelo comentário no meu blog... pelo que vi a madrugada de sexta pra sábado foi de intensa leitura, né?

Hoje postei no blog um texto em sua homenagem... desculpe pela liberdade tomada... mas não pude resistir!

Beijos, João F. A. Cunha

Laura Fuentes disse...

João, gostei da definição: "retratos do cotidiano amoroso". Posso tomar posse?
Estou curiosa prá ver sua nova postagem. E, vou te confessar, adoro ser "homenageada"....rsrs
Um beijão

Retrix disse...

Treze de maio, Lei Áurea. Com um novo celular, Madá conseguiu sua alforria...